Ao me converter, optando por Deus, eu escolho um caminho de luta para a santidade. Esse caminho normalmente tem altos e baixos, mas ao perseverar no amor de Deus, em pouco tempo é possível adquirir um certo domínio sobre esses instintos que nos levam ao pecado. Daí, na maioria das vezes, entramos em uma zona de conforto.
Se eu me sinto equilibrado o suficiente para encarar o mundo, aos poucos eu volto a me aproximar das coisas do mundo. Me envolvo em cenários que eu havia me afastado para que a cura interior pudesse se concretizar em minha vida. Até ai, nada de errado, desde que essa nossa recolocação no mundo não nos torne mesquinos demais.
O problema é que uma vez convertidos e vivendo os mandamentos do Senhor, nós nos achamos preparados para o céu, portanto, passamos a nos importar só com nossas coisas, pois acreditamos que se a morte chegar hoje ou amanhã, o nosso lugar no céu já está garantido. Pensar assim, no entanto, embora muito comum, é um erro grave!
Uma vez que estamos novamente envolvidos com mundo, precisamos enxergar como premissa a necessidade que as pessoas tem de encontrar-se verdadeiramente com o Senhor, do contrário, nós retornamos ao mundo achando que agora podemos recomeçar o processo de busca pelos nossas metas pessoais, o que também não teria nada de errado, desde que estivéssemos cientes de que a nossa primeira e primeira e principal obrigação é a evangelização.
Assumir essa missão, ao contrário do que muitos podem pensar, não é entregar a sua vida ao sofrimento. Ao servir a Deus no próximo, passamos a enxergar as feridas que existem no mundo, e cheios de compaixão, até os nossos problemas pessoais passam a ser menores. Cuidar da humanidade nos torna dóceis e amáveis para com a nossa família e amigos. Cuidar da humanidade nos faz sair dos nossos próprios problemas e assim, podemos entender que se não tivéssemos nos comprometidos em cuidar da ferida que há no mundo, estaríamos presos a nossa ferida, que muitas vezes é insignificante diante de tantos problemas.
Quantos santos da igreja se tornaram santos somente por que viveram a santidade?
Nenhum. Se analisarmos suas biografias, veremos histórias de luta, de garra, de muito trabalho!
E nós, como chegamos até aqui? E se chegamos, não foi graças a ajuda de pregadores, missionários, sacerdotes e tantas outras pessoas que cumpriram bem os seus papéis na evangelização? Nós precisamos ser como eles!
Não quero concluir esse escrito, muita coisa poderia ser colocada por aqui, mas para isso, eu precisaria da ajuda de outros servos para colocarem suas experiências a partir de suas missões, da mesma forma que Deus precisa de nós para sua obra.
Contudo, deixarei uma última consideração, para que essa reflexão se estenda em sua vida:
A nossa santidade não é apenas medida a partir da vitória sobre o pecado, mas também pelo nosso comprometimento com a missão deixada por Deus. E tome cuidado até mesmo com as tarefas e escolhas que tens tido no mundo, pois mesmo que elas não nos levem ao pecado, se a colocarmos na frente da obra de Deus, se tornam brechas para a invasão do inimigo, que age sutilmente. Esteja aonde estiver, carregue a sua cruz, e assuma o seu comprometimento com a obra de Deus acima de tudo!
Mateus 25, 14 – 30
14 Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. 16 O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco.
17 Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois.
18 Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.
20 Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22 E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.
23 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste,
25 receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
26 Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
27 Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.
28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez.
29 Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30 E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.
Em resumo, se você serve a Deus, você multiplica os seus talentos;
Se você não serve a Deus, não multiplica os seus talentos. Mas também não os rouba, ou seja, diferente do filho pródigo, você não tira proveitos para si. É como o Cristão que não faz nada de errado, simplesmente vive a sua vidinha santa e humilde sem pecar, mas infelizmente, enterra o seu talento!
Isso nos confirma que não basta ser santo, é preciso tomar vergonha na cara e sair pelo mundo a fora levando essa boa nova para que esse tesouro de santidade se multiplique! Temos que transpirar santidade para todos!
Na paz de Jesus,
Rodrigo Marini
Membro de aliança da Comunidade Unidos em Cristo
Twitter: @RodrigoMarini_
