segunda-feira, 19 de julho de 2010

Nulidade Matrimonial

Todo mundo sabe que a Igreja considera o sacramento do matrimônio como indissolúvel. O que pouca gente sabe é que muitos matrimônios podem simplesmente nunca terem existido. Mesmo que o casal tenha formado uma família. São os casos em que a Igreja declara um matrimônio como nulo.

São situações em que as pessoas se casam por pressão ou medo, por exemplo. Nestas horas, os tribunais eclesiásticos auxiliam muitos casais a descobrirem se o casamento foi realmente válido.

O que Deus uniu, o homem não separa. Mas por ano, cerca de 580 mil pessoas rompem o casamento por meio de separação ou divórcio.

Crise que a Igreja aponta como causa a mudança de comportamento social. Foi pensando neste assunto que Irmã Maria Nilsa de Almeida escreveu um livro que aborda o tratamento da Igreja católica quanto a declaração da nulidade do matrimônio.

Dom Hugo Cavalcante é presidente da Sociedade Brasileira dos Canonistas, orgão composto na maioria por Juizes dos tribunais eclesiais da Igreja Católica no Brasil. Ele explica que o catolicismo se preocupa em se atualizar para atender melhor a necessidade dos fiéis.

O primeiro casamento de Rosimary durou um ano e meio. Os pais forçaram o matrimônio por ela ter perdido a virgindade ainda solteira.

Depois de separada ela conheceu Cláudio, com quem teve Pedro. Mas o casal ainda não se preocupava em seguir as normas da Igreja. Depois de uma experiência religiosa, souberam que era possível questionar a validade do casamento dela. A partir daí foram seis anos de espera.

O matrimônio é um sacramento da Igreja católica e é indissolúvel. Somente poderá ser considerado nulo se os tribunais eclesiásticos considerarem fatos que ocorreram antes, e não depois do casamento.

Rosemari e Cláudio hoje vivem uma relação estável e feliz. Em paz com a Igreja e com a consciência.

Luiz Carmona, e sua esposa Eneida Carmona, fundadores da CUC, são psicólogo peritos do tribunal eclesiástico.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Rute: Mulher de Deus

Rute: Mulher de Deus

Noêmi viu-se viúva com suas duas noras também viúvas, uma vez que havia falecido seu marido e seus dois filhos, numa época em que a condição da mulher era de total dependência, tanto financeira, como humana, no sentido afetivo, psicológico e emocional, até por conta da cultura, educação e os valores. A própria Noêmi demonstra que embora numa atitude nobre de dar liberdade às suas noras, escondia dentro de si, uma desilusão com a vida, um sentimento de culpa pois declarava que a “mão do Senhor pesou sobre ela” . Estaria então fadada a tal situação, não via saída, sua idade avançada não lhe permitia ter esperança nem expectativa de uma vida diferente, restava-lhe então voltar a sua terra natal, numa conotação que percebe-se por suas declarações, de derrota, humilhação e muita dor. Ela mesma muda seu nome, optando por Mara, que significa amargura, no lugar de seu nome original, Noêmi, que significa doçura. Aí vemos claramente a expressão de uma mulher que sente-se abandonada e rejeitada, até pelo próprio Deus. Fadada a esperar a morte, já que a vida não lhe prometia mais nada, um coração na condição de Noêmi, é um campo para depressão e angústia. Além da dor, do luto pela viuvez, essa condição vai além disso e alcança a dimensão do sentimento pois ela experimentava o luto numa condição dolorosa de perda, isto é, perda de esperança, perda de possibilidade de mudança, perda da dignidade pela sua condição de mulher, numa terra que não lhe proporcionava condições nem mesmo de manter sua sobrevivência e perda do valor como pessoa, uma vez que sua condição era de total dependência.

No entanto, vemos em Rute, também viúva e jovem, a determinação e a coragem de quem não volta atrás, mas assume a condição que a vida lhe proporciona sem perder as oportunidades, não importando as circunstâncias em que se encontra. Uma vez que havia entrado para aquela família, não desistiria facilmente, ao contrário, mesmo numa condição socialmente inferior, não sente-se humilhada por trabalhar para garantir seu sustento e o de sua sogra, mas parte para a luta. Vemos na observação do servo que a identifica para seu patrão: “Está, aí, sempre de pé, desde a manhã até agora” a postura de quem não se deixa abater, a determinação de quem é forte, corajosa e objetiva. Não usou de sua condição para manipular ou seduzir o mundo, não tirou proveito ou fez disso um meio menos digno de garantir suas vidas, a dela própria e de sua sogra. Mesmo que de imediato o mundo não nos valorize, Deus jamais deixa passar despercebidas nossas atitudes de coragem, quando nossos objetivos são justos e sinceros por isso jamais nos abandona, ao contrário, faz de cada situação, mesmo difícil, uma oportunidade de vitória, que só os sábios e tementes podem perceber e valorizar.

É interessante notar também, como a postura de Rute, trouxe à Noêmi, novas esperanças, revigorou nesta mulher a sabedoria e a astúcia, pois com sua vivência e conhecimento dos fatos, ela própria já passa a fazer planos para o futuro e os expõe à nora. De fato, mulheres como Rute, conseguem pelo seu exemplo, se tornarem referência para outras, transmitir-lhes novas esperanças, um novo vigor à vida. Pelo texto bíblico foi da geração de Rute e seu novo marido Booz, que chegamos a Davi. Devemos admitir então, que embora os caminhos de Deus, nem sempre nos são claros, não devemos nunca desistir, voltar atrás, questionar ou adoecer, ao contrário, ao invés de um “Porque?” é mais coerente perguntar “Para que?”. E sem demora, aquela situação ou circunstância de nossas vidas, que pareciam sem saída, uma derrota, irão demonstrar sua real finalidade.

REFLEXÕES

Como você mulher, encara sua situação no mundo?

Como assume cada papel que a vida lhe propõe, como encargos, fardos ou missões?

Mediante os desafios da vida, via de regra sua postura é de fuga ou avança com coragem?

Quando os seus projetos não acontecem, sente-se uma perdedora, ou sabe discernir quando é tempo de ceder ou renunciar se preciso?

Trecho retirado do módulo "Mulheres de Deus"
Você pode adquirir nossos módulos para sua formação humana e espiritual e estará colaborando com o nosso trabalho.

Deus abençoe!

Mulheres de Deus: Introdução

A mulher tida como o sexo frágil, esconde dentro de si uma fortaleza imensa. Porém, nela reside também a opção, o livre arbítrio entre dirigir sua vida pelo entendimento do mundo, os valores, as cobranças, os objetivos e as condutas propostas ou dirigir sua vida pelo Espírito Santo, que nos revela muitas vezes que a verdade do mundo não é a verdade de Deus, que o que é loucura para o mundo, não é loucura para Deus e vice versa (I Cor 2,6-16).

Na história da humanidade a mulher passou por transformações no que concerne a sua postura, como o mundo a vê, como ela própria se percebe. Em tempos remotos ela não tinha voz nem vez, fora um objeto na mão dos homens e da própria sociedade, vista como meio apenas de procriação, foi adquirindo seu espaço, mostrando sua força e seu valor e quando pela sociedade ela alcança um status, percebe-se que por sua própria postura passa a perder, se não tomar cuidado, a sua dignidade, o respeito e o valor.
Mas certo é que Deus sempre lhe reservou um lugar especial, infelizmente por desobediência ela foi um dia, à luz do entendimento espiritual, a porta do pecado. Porém, como Deus não se engana, investe novamente na figura da mulher, aquela que Ele mesmo advertiu que calcaria o pecado aos seus pés e temos na pessoa de Maria, a porta da salvação. Missão esta, que a mesma assumiu por características tão simples, porém profundas, que cabem muito bem ao gênero feminino: a humildade (que não é humilhação), a força (que não é bruta), o temor (que não é medo), a sabedoria (que não é apenas inteligência), a obediência (que não é escravidão), o silêncio (que não é mudez), a coragem (que não é da estupidez), a autoridade (que não é autoritarismo) e entre muitas outras virtudes, a que lhe é peculiar: o amor, fonte de vida (jamais de morte), caminho de crescimento (jamais de divisão).

São muitos os exemplos de mulheres que embora no meio de dificuldades, tribulações e questões que pareciam impossíveis de terem saída, encontraram soluções, especialmente porque suas atitudes, sua maneira de enfrentar e seu entendimento, iam além dos valores e conceitos humanos, recorreram à fé, por confiar em Deus, com a certeza que é único, infalível e fiel àqueles que a Ele recorrem com coração aberto e sincero, entregando-lhe sem resistência, toda sua vida, pensamentos, decisões, sentimentos, objetivos, ainda que arriscassem tudo, até a vida, porém confiantes que para Ele tudo é possível e a vitória é certa.

Assim encontramos os exemplos bíblicos de:
RUTE – livro de Rute (Cap.1-4)
ESTER – livro de Ester (Cap. 1 – 16)
JUDITE – livro de Judite (Cap. 1 – 16)
SUZANA - livro de Daniel (Cap. 13)

Trecho retirado do módulo "Mulheres de Deus"
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Deus abençoe!

Biografia de Bento 16

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi batizado no mesmo dia. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural.

O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.

Precisamente nesta complexa situação, descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo; fundamental para ele foi a conduta da sua família, que sempre deu um claro testemunho de bondade e esperança, radicada numa conscienciosa pertença à Igreja.

Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos.

Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951.

Um ano depois, começou a sua actividade de professor na Escola Superior de Freising.

No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».

Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.

De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia.

A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.

Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. A 28 de Maio seguinte, recebeu a sagração episcopal. Foi o primeiro sacerdote diocesano, depois de oitenta anos, que assumiu o governo pastoral da grande arquidiocese bávara. Escolheu como lema episcopal: «Colaborador da verdade»; assim o explicou ele mesmo: «Parecia-me, por um lado, encontrar nele a ligação entre a tarefa anterior de professor e a minha nova missão; o que estava em jogo, e continua a estar – embora com modalidades diferentes –, é seguir a verdade, estar ao seu serviço. E, por outro, escolhi este lema porque, no mundo actual, omite-se quase totalmente o tema da verdade, parecendo algo demasiado grande para o homem; e, todavia, tudo se desmorona se falta a verdade».

Paulo VI criou-o Cardeal, do título presbiteral de “Santa Maria da Consolação no Tiburtino”, no Consistório de 27 de Junho desse mesmo ano.

Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional que teve lugar em Guayaquil (Equador) de 16 a 24 de Setembro. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

Foi Relator na V Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizada em 1980, que tinha como tema «Missão da família cristã no mundo contemporâneo», e Presidente Delegado da VI Assembleia Geral Ordinária, celebrada em 1983, sobre «A reconciliação e a penitência na missão da Igreja».

João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981. No dia 15 de Fevereiro de 1982, renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de München e Freising. O Papa elevou-o à Ordem dos Bispos, atribuindo-lhe a sede suburbicária de Velletri-Segni, em 5 de Abril de 1993.

Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.

A 6 de Novembro de 1998, o Santo Padre aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia.

Em 1999, foi como Enviado especial do Papa às celebrações pelo XII centenário da criação da diocese de Paderborn, Alemanha, que tiveram lugar a 3 de Janeiro.

Desde 13 de Novembro de 2000, era Membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências.

Na Cúria Romana, foi Membro do Conselho da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados; das Congregações para as Igrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para a Educação Católica, para o Clero, e para as Causas dos Santos; dos Conselhos Pontifícios para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e para a Cultura; do Tribunal Supremo da Signatura Apostólica; e das Comissões Pontifícias para a América Latina, «Ecclesia Dei», para a Interpretação Autêntica do Código de Direito Canónico, e para a revisão do Código de Direito Canónico Oriental.

Entre as suas numerosas publicações, ocupam lugar de destaque o livro «Introdução ao Cristianismo», uma compilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro «Dogma e Revelação» (1973), uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.

Grande ressonância teve a conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema «Por que continuo ainda na Igreja?»; com a sua habitual clareza, afirmou então: «Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja».

No decurso dos anos, continuou abundante a série das suas publicações, constituindo um ponto de referência para muitas pessoas, especialmente para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia. Em 1985 publicou o livro-entrevista «Relatório sobre a Fé» e, em 1996, «O sal da terra». E, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, publicou o livro «Na escola da verdade», onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.

Recebeu numerosos doutoramentos «honoris causa»: pelo College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; pela Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; pela Universidade Católica de Lima, em 1986; pela Universidade Católica de Lublin, em 1988; pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999; pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polónia) no ano 2000.