segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
A importância do carisma CUC
Meu Chamado Na CUC
Ser membro de uma comunidade, é viver em “comum unidade”, com irmãos que possuam um mesmo “roteiro” em busca das “coisas do alto”.
As novas comunidades, não existem para substituir o serviço dentro da Igreja Católica, mas, ao contrário disso, servem justamente para ajudar a cuidar da Santa Igreja.
Em toda a história do Cristianismo, podemos perceber que, por diversas vezes, a igreja é colocada a prova sofrendo uma ação do inimigo de Deus, cujo intuito é o de destruir a Esposa de Cristo.
Hoje, não é diferente! A igreja continua sendo perseguida e muitos dos nossos irmãos fiéis, tem abandonado a sua caminhada por conta de uma desmotivação vinda do maligno. A partir daí, procuram outras seitas ou lugares que lhes prometem uma “religião light” onde tudo é como mágica e não há um verdadeiro compromisso, porém, essa história sempre acaba em desgraça e quem “paga o pato”, são os fiéis.
Para combater esse mal e preservar a igreja, surgem as novas comunidades, formadas por servos consagrados e despojados de si, onde estão dispostos a resgatar o maior número de fiéis perdidos no mundo para acolhê-los em sua verdadeira casa: A Igreja Católica.
Se analisarmos o trabalho de algumas das comunidades católicas mais conhecidas, veremos que o impacto positivo em relação aos fieis beneficiados é enorme.
Por exemplo, a Comunidade Canção Nova, tem reinflamado carismas por meio da música e da evangelização, o que tem dado um novo ardor missionário a todos os fiéis, repercutindo diretamente nos trabalhos exercidos em suas respectivas Paróquias, onde a fé é levada com mais firmeza, comprometimento e responsabilidade.
Outro exemplo clássico, é a fraternidade Toca de Assis, que tem reeducado a muitos fiéis (inclusive a mim), a buscarem um verdadeiro e profundo encontro Eucarístico com o Sagrado, além de nos relembrar, de forma concreta, que a misericórdia de Jesus só é vivida à medida em que nós formos de encontro aos mais necessitados, como o próprio São Francisco de Assis nos ensinou com seu modelo de santidade.
Por falar em Francisco, lembro-me do trecho de sua oração, na qual ele diz que "é dando que se recebe", e foi assim que decidi aceitar o chamado de Deus para minha vida na Comunidade Unidos em Cristo (CUC), quando passei por momentos em que apesar de viver uma fé concreta, muitos de meus problemas eram psicológicos, e eu não sabia! O fato é que esses problemas causavam um grande distúrbio emocional que, conseqüentemente, afetava o meu corpo e a minha fé, fazendo com que não somente eu, mas meus amigos e familiares sofressem as conseqüências de conviver com uma pessoa que precisava urgentemente de ajuda!
Ao descobrir que a psicologia, ao contrário do que muitos dizem, não é uma fantasia, muito menos algo que trás a cura mágica, pude experimentar os benefícios dessa ciência que, em minha vida, graças a Comunidade Unidos em Cristo, caminhou lado a lado com a minha fé Cristã Católica.
Não tive dúvidas de que meu chamado era nessa comunidade!
Como ajudar alguém que sofre sérios problemas emocionais, fobias, depressão, medo, angústia, dependência química, e tantos outros?
A palavra oração pode responder isso, pois ela é formada de Orar + Ação!
Somos humanos e\precisaremos contar sempre com a misericórdia de Deus, mas não podemos nos esquecer que é Ele quem nos oferece os recursos para conseguirmos superar esses obstáculos!
De nada adiantaria orar e esperar uma cura mágica, pois isso seria um desrespeito com a nossa fé!
Ao contrário, Deus nos restaura a medida em que nos abrimos para experimentar o seu amor sendo capazes de O encontrar no próximo!
Um dia, eu tive a graça de conhecer e ser acolhido por Luiz Carmona e Eneida Carmona, fundadores da Comunidade Unidos em Cristo (CUC) e neles, eu pude encontrar o amor de Deus!
Seguindo o mesmo exemplo, desses que hoje são meus "pais fundadores", eu decidi encarar essa missão, me tornando também um agente multiplicador!
Outra questão que sempre me intrigou, é o fato de eu não ter a possibilidade de ajudar mais concretamente as diversas comunidades espalhadas pelo Brasil.
Como deixar tudo e sair pela cidade dedicando minha vida no apoio e carinho aos moradores de rua, assim como fazem os "toqueiros"?
Como deixar tudo e sair pelo mundo evangelizando, assim como fazem os missionários das grandes comunidades como a Shalom e Canção Nova?
Não que eu não tivesse coragem ou disponibilidade, mas eu jamais poderia fazer isso no impulso, uma vez que os caminhos por onde Deus vem me guiando são outros!
Na Comunidade Unidos em Cristo (CUC), pude aprender com meu fundador, que somos irmãos das demais comunidades e que temos a possibilidade e a necessidade de caminharmos juntos, unindo carismas e trocando não somente experiências, mas também espiritualidade e amor!
Foi nessa hora em que eu pude entender o sentido da palavra de Deus, quando nos diz claramente que somos membros de um único corpo, cuja a cabeça é o Cristo!
E que alegria ter um chamado de Deus a uma comunidade de formação, que tem a preocupação e a disponibilidade em atender e ajudar também os consagrados dessas comunidades de N carismas, dando a eles todo o apoio espiritual e psicológico necessário para continuarem firmes na missão! É como nos comprometermos também com a missão deles e fazer algo que talvez ninguém se preocuparia em fazer.
Muitos, ainda não entendem o por que de ter deixado meus compromissos paroquiais onde sempre atuei com amor e dedicação. Talvez, lendo isso, esses irmãos possam entender que o único motivo pelo qual eu dei meu SIM a Deus na Comunidade Unidos em Cristo (CUC), é o desejo de que nossas paróquias e famílias tenham fiéis cada vez mais santos e restaurados, sempre preparados para o serviço do Senhor.
A Comunidade Unidos em Cristo (CUC), não possui um número grande de servos consagrados, tampouco, é uma comunidade que recebe grande número de pessoas, muito embora estejamos sempre disponíveis a todos aqueles que chegarem a nossa casa, mas mesmo assim, eu tenho entendido o quão grande é essa comunidade! Sim, afirmo isso por causa da necessidade que o mundo tem em experimentar o carisma Unidos em Cristo.
Em qualquer parte do mundo, trabalhar a fé em conjunto com a ciência da psicologia é extremamente eficaz, por isso, sou grato a Deus, por ter permitido que eu o servisse nessa obra!
Essa é essência da CUC, Restaurar o ser humano, permitindo que ele volte à sua essência e encontre-se consigo mesmo, com o próximo e com Deus.
Como ser santo? Como ser feliz? Atualmente, o mundo nos obriga a viver a partir de padrões que nos levam a uma diabólica crise de identidade, na qual nem sabemos o que somos e o por que existimos!
Deus quer muito mais do que simplesmente nos curar, Deus quer: "A restauração do ser humano, nas dimensões corpo, alma e espírito no contexto bio-psico-social-espiritual, através da cura interior, promovendo a auto-imagem, resgatando a dignidade humana e trabalhando a auto-estima, buscando levar a pessoa à sua essência, o amor."
Com amor fraterno,
Rodrigo Marini
domingo, 28 de novembro de 2010
Distúrbios do comportamento [Introdução]
Para percebermos o mundo ao nosso redor, temos que nos valer dos sistemas sensoriais, ou seja, após uma série de processamentos no cérebro, finalmente a informação é enviada ao seu centro específico, visão, audição, olfato, paladar e tato. Mas nem sempre o que percebemos é de fato o mesmo que sentimos, por exemplo: a fadiga, ansiedade ou afeto. O uso de drogas, álcool, etc., podem modificar a percepção e o sentimento, além disso, as influências culturais e pessoais, também interagem neste sentido. Assim, a percepção revela à nós que existe algo e a sensação diz que algo é esse. Porisso, deve sempre haver perfeita integração entre os estímulos e as sensações.
A integração dos órgãos dos sentidos é muito importante. Por exemplo, o gosto de uma comida depende muito do funcionamento conjunto dos receptores do sabor e do aroma, porisso a comida pode parecer sem gosto quando estamos com o nariz entupido. Isso ocorre freqüentemente na mulher grávida, pois sua capacidade de perceber o aroma é diferente. Aliás, muita coisa nesta fase da vida fica alterada.
Um outro exemplo pode ser o das cores. Não dá para ter certeza que alguém veja a cor vermelha ou qualquer outra, na mesma intensidade que eu vejo. Por exemplo, se o indivíduo estiver sob efeito de cocaína, pode fazer com que este veja as cores com um brilho diferente. Podemos dizer que há influência marcante na percepção mediante o uso de álcool também. Além disso, o estado emocional da pessoa poderá influenciar nos processos de percepção e do pensamento, por exemplo, a pessoa amedrontada, percebe mais intensamente um pequeno ruído em seu quarto à noite com a luz apagada antes de dormir. Porisso, é conveniente que não assistamos a determinados filmes, muito especialmente as crianças, isso estende-se a outros programas de TV também, portanto, é adequado selecionarmos melhor aquilo que é bom para nós.
ALTERAÇÕES DA REALIDADE
As sensações podem estar alteradas de acordo com a intensidade e a qualidade. Vejamos alguns exemplos:
A Hiperestesia (percepção aumentada). Normalmente ocorre com a exaltação dos reflexos, o indivíduo fica mais excitado e os processos psíquicos ficam acelerados. Nos estados de grande ansiedade, fadiga e esgotamento, a tolerância fica comprometida, nestes casos, a audição e o tato, podem ficar aumentados. A hiperestesia é freqüentemente encontrada em pessoas portadoras de alterações afetivas ou de humor. Ela pode ser encontrada também em pessoas acometidas de enxaqueca e também nos usuários de drogas e ocasionalmente em alguns casos de epilepsia. Nestes casos, os ruídos, sons e luzes, podem parecer muito mais fortes, altos, enfim incômodos e normalmente o corpo apresenta-se com quadros dolorosos.
A Hipoestesia (percepção diminuída). Ocorre nos quadros depressivos. Há diminuição da sensibilidade aos estímulos, embora as sensações corporais possam estar aumentadas. Assim, ocorre a diminuição dos reflexos, elevação da sensibilidade fisiológica e lentidão dos elementos psíquicos.
A Anestesia (ausência de percepção). Geralmente encontra-se a anestesia em doenças neurológicas, em pacientes histéricos e isso decorre das causas emocionais. Nos casos de hipnose e transes podemos também encontrar a anestesia, assim como nos casos de fortes emoções. Por exemplo, quando a pessoa é ferida em meio a uma briga, digamos que a pessoa fosse baleada, ela pode continuar brigando e posteriormente verificar que foi baleada, porque não sentiu o ferimento.
Podemos dizer que cada pessoa é diferente uma da outra, por outro lado, existem algumas características comuns aos seres humanos. Assim, a essência do homem é igual, mas funcionamos de maneira diferente uns dos outros. Para ilustrar melhor, podemos pensar no limiar da dor ou mesmo no nível de QI de cada pessoa.
ALTERAÇÕES AFETIVAS
Podemos inicialmente questionar o seguinte:
A pessoa está afetivamente abalada, ou a pessoa é afetivamente abalada?
Você está com dor de cabeça, ou você tem dor de cabeça?
Algumas pessoas, em determinado momento da vida podem estar sujeitas a situações momentâneas ou circunstanciais, que resultam em problemas de ordem afetiva que podem desencadear alguma reação orgânica. Atualmente, as pessoas são muito exigidas, o estresse é constante, além das perdas, as decepções, etc. a que estamos sujeitos. Assim, surgem alterações afetivas em vários momentos na vida e cada pessoa reage de maneira diferente, alguns experimentam estas situações e saem delas sem muitos problemas, enquanto outros acabam sendo até hospitalizados.
Quando o indivíduo é afetivamente problemático, normalmente o tratamento é mais intenso. Em alguns casos esta alteração permanece por longo tempo, podendo ser até definitivo. Depende muito do paciente querer ajudar-se, às vezes a própria doença o impede de querer.
Por outro lado, o indivíduo não é afetivamente problemático, mas está passando por uma fase decorrente de circunstâncias daquele momento. Deste modo, o tratamento é mais rápido, até que a pessoa readquira o seu compasso normal de vida e fique harmonizado consigo mesmo.
Você poderá saber mais sobre este assunto adquirindo nossos módulos, DVDs e participando dos nossos eventos e retiros.
Será uma alegria recebê-lo em nossa casa!
domingo, 1 de agosto de 2010
Saiba mais sobre a depressão!
A depressão é caracterizada por um estado em que o humor fica deprimido, melancólico, como se diz popularmente, "para baixo". A pessoa deprimida sente angústia, ansiedade, desânimo, nota que sua energia está acabando, sobretudo, um tédio, apatia, uma tristeza profunda e a impressão que se sente é que parece que isso não terá fim. Pode surgir em qualquer fase da vida, desde a infância até em idades avançadas. A depressão tem a condição de interferir na vida diária, sendo que nos jovens e adultos, pode intervir drasticamente nas relações sociais e no bem-estar dos mesmos e dependendo do desgaste pelo qual a pessoa é acometida, pode levá-Ia ao suicídio. Depois de muita discussão a respeito da depressão, os cientistas finalmente chegaram à conclusão, que a depressão tem origem bio-psico-social.
Também a depressão tem sido muito divulgada e debatida atualmente nos meios de comunicação, tal é a preocupação que as autoridades de saúde têm em alertar a população para o diagnóstico e tratamento muito especialmente.
No mundo, a depressão atinge um número cada vez maior de pessoas, são mais de 400 milhões de pessoas acometidas. Ou seja, cerca de 20% da população tem experimentado os incômodos sintomas desta doença. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que nos próximos 20 anos, o problema sairá do 4°. para o 2°. lugar no ranking de doenças dispendiosas e fatais. Ela deverá perder apenas para as enfermidades do coração.
Os pesquisadores do Departamento de Psiquiatria Clínica da Unifesp dizem o seguinte a respeito da depressão:
Após o primeiro episódio, a chance de recaída é de 50%. Depois do segundo episódio, a chance cresce para 75% e no terceiro, chega a 90%, muito especialmente nas mulheres que são as mais atingidas pela doença. A estatística mostra que 1 em cada 5 mulheres e 1 em cada 10 homens são acometidos pela depressão, portanto, as mulheres são mais vulneráveis que os homens.
O pensamento da pessoa deprimida
Os pensamentos que frequentemente ocorrem com a pessoa deprimida são de se rotularem sem valor, culpam-se demasiadamente e se concebem fracassadas. Alguns têm ainda certa dificuldade para pensar, não conseguem se concentrar como também não conseguem tomar decisões que antes eram normais, corriqueiras, pois receiam tomar essas decisões de maneira errada. Também se verifica que via de regra, essas pessoas têm a sua auto-imagem distorcida, rebaixada.
Causas da depressão
Não existe uma única causa para a depressão. Em algumas famílias fala-se sobre a hereditariedade ou a vulnerabilidade biológica. Pouca tolerância ao stress, auto-estima baixa, fatores ambientais como uma perda significativa, doença crônica ou dolorosa como câncer, mal de Alzheimer, diabetes e alterações hormonais, gravidez, parto, menopausa, uma ruptura sentimental, problemas financeiros, mudanças bruscas no padrão de vida, aposentadoria etc., podem facilitar o surgimento da depressão. Outra causa pode ser a existência de aspectos específicos de personalidade e o próprio histórico familiar de depressão.
Essas podem apresentar sintomas como:
Humor deprimido;
Irritabilidade, ansiedade;
Desânimo, cansaço mental;
Dificuldade de concentração e esquecimento;
Incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades que antes da depressão eram agradáveis;
Tendência ao isolamento tanto social quanto familiar;
Apatia, desinteresse, falta de motivação, sentimento de medo, insegurança, desespero e vazio;
Pessimismo, idéias de culpa, baixa auto-estima, falta de sentido de vida, inutilidade e fracasso;
Idéias de morte e até suicídio;
Dores e problemas físicos geralmente não justificados por diagnósticos médicos, tais como cefaléia, sintomas gastrintestinais, dores pelo corpo e pressão no peito. Esses sintomas, já deverão estar existindo há pelo menos seis meses e sem diagnóstico que o justifique.
Alterações do apetite;
Redução da libido;
Falta ou aumento do sono;
Como diferenciar a tristeza da depressão?
Na pessoa deprimida os sentimentos são diferentes de uma tristeza anteriormente sentida. A tristeza é um sentimento normal, próprio do ser humano, quando este se vê em situações que lhe falta a alegria, mediante uma perda, decepção, etc., porém o estado de equilíbrio retoma logo após a elaboração, mediante o enfrentamento feito a curto ou longo prazo. Ela não traz sintomatologias físicas e ou orgânicas intensas. Na depressão essa condição é mais persistente.
Na depressão grave, a pessoa se isola e perde o interesse em tudo. Pode ficar mal humorada, sempre insatisfeita com tudo. Luta contra a depressão sem saber que sofre dessa doença. Essa luta rouba da pessoa a pouca energia que lhe resta. Com isso, fica pior, mais irritado e impaciente.
O tratamento mais indicado para a depressão é a combinação de medicamentos antidepressivos e psicoterapia. O exercício físico também é indicado.
A medicação conseguirá um alívio mais rápido dos sintomas eles não são calmantes nem estimulantes, não geram dependência física nem psíquica.
A psicoterapia ajudará o paciente a encontrar meios afetivos ns soluções dos problemas de sua vida, que muitas vezes são fatores que predispõe a depressão.
Já o exercício físico, estimulará as endorfinas que são os nossos “antidepressivos naturais”. Aumentam o bem estar, o intestino funciona melhor, a pressão arterial fica mais estável, e a pessoa tem menos taquicardia.
Algumas dicas que podem ser úteis ao paciente:
A depressão não é uma fraqueza nem uma loucura;
A pessoa não melhora apenas através da força de vontade;
A depressão não escolhe raça e nem classe social;
É importante não se isolar, o paciente deve contar com a ajuda e compreensão dos familiares e amigos.
Não estabeleça objetivos muito difíceis, nem grandes responsabilidades. Divida as grandes tarefas em pequenas atividades. Faça o que for possível.
Não cobre muito de si próprio para que a sensação de fracasso não aumente. Faça apenas o que as suas forças permitirem.
Procure ficar acompanhado de outras pessoas, é melhor do que estar sozinho.
Realize as atividades que sejam prazerosas, não se exceda.
Saiba mais participando dos nossos encontros e retiros e adquirindo o nosso módulo nº 8 especialmente sobre Depressão: Sintomas, como superá-la, etc.
Você sabe o que são dogmas de fé?
O termo “dogma” provém da língua grega, “dogma”, que significa “opinião” e “decisão”. No Novo Testamento, é empregado no sentido de decisão comum sobre uma questão, tomada pelos apóstolos (cf. At 15,28). Os Padres da Igreja, antigos escritores eclesiásticos, usavam a palavra dogma para designar o conjunto dos ensinamentos e das normas de Jesus e também uma decisão da Igreja.
Pouco a pouco, a Igreja, com o auxílio dos teólogos e pensadores cristãos, precisou e esclareceu o sentido de dogma. Na linguagem atual do Magistério e da Teologia, o “dogma” é uma doutrina na qual a Igreja: quer com um juízo solene, quer mediante o magistério ordinário e universal, propõe de maneira definitiva. É uma verdade revelada, de uma forma que obriga o povo cristão a crer nele, em sua totalidade, de modo que sua negação é repelida como heresia e estigmatizada com anátema.
Definidos pelo magistério da Igreja de maneira clara e definitiva, os dogmas são verdades de fé, contidas na Bíblia e na Tradição. Não se tratam de invenções novas, ou coisa apenas dos homens.
Na Igreja os dogmas são importantes, porque ajudam os cristãos a se manterem fiéis na fé genuína do cristianismo. “Os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para ajudar a gente a se manter no rumo do Santuário vivo, que é Jesus” (CNBB. Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. pág. 81).
Muitos protestantes combatem os Dogmas da Igreja católica, entretanto não percebem que os dogmas são fundamentos doutrinários que não permitem divergências, e levam a unidade da Igreja.
Para que o ensinamento divino contido nas Sagradas Escrituras seja um dogma são necessárias duas condições:
1) O sentido deve estar suficientemente manifestado.
2) Esta doutrina deve ser proposta pela Igreja como revelada. Quando o texto das Escrituras estiver definido pela igreja como contendo um dogma revelado, com sentido preciso e determinado, é um dever estrito para os católicos aceitá-lo.
“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.” (Mt, 24, 35)
“Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema”. (Epístola de São Paulo aos Gálatas, 1,8)
D. 39.1 Definição dos dogmas pela autoridade pela Igreja
§88 O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária.
D. 39.3 Dogmas de fé
§89 Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé.
§90 Os laços mútuos e a coerência dos dogmas podem ser encontrados no conjunto da Revelação do Mistério de Cristo. “Existe uma ordem ou ‘hierarquia’ das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente.”
OS DOGMAS DA IGREJA.
A seguinte compilação de todos os Dogmas da Igreja Católica foi obtida do trabalho do Dr. Ludwig Ott, Fundamentos do Dogma Católico, publicado pelo Mercier Press Ltd., Cork, Irlanda, 1955. Este livro tem o Imprimatur do Bispo Cornelius. Reimpresso nos EUA pela Tan Books and Publishers, Rockford, Illinois, 1974.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Nulidade Matrimonial
São situações em que as pessoas se casam por pressão ou medo, por exemplo. Nestas horas, os tribunais eclesiásticos auxiliam muitos casais a descobrirem se o casamento foi realmente válido.
O que Deus uniu, o homem não separa. Mas por ano, cerca de 580 mil pessoas rompem o casamento por meio de separação ou divórcio.
Crise que a Igreja aponta como causa a mudança de comportamento social. Foi pensando neste assunto que Irmã Maria Nilsa de Almeida escreveu um livro que aborda o tratamento da Igreja católica quanto a declaração da nulidade do matrimônio.
Dom Hugo Cavalcante é presidente da Sociedade Brasileira dos Canonistas, orgão composto na maioria por Juizes dos tribunais eclesiais da Igreja Católica no Brasil. Ele explica que o catolicismo se preocupa em se atualizar para atender melhor a necessidade dos fiéis.
O primeiro casamento de Rosimary durou um ano e meio. Os pais forçaram o matrimônio por ela ter perdido a virgindade ainda solteira.
Depois de separada ela conheceu Cláudio, com quem teve Pedro. Mas o casal ainda não se preocupava em seguir as normas da Igreja. Depois de uma experiência religiosa, souberam que era possível questionar a validade do casamento dela. A partir daí foram seis anos de espera.
O matrimônio é um sacramento da Igreja católica e é indissolúvel. Somente poderá ser considerado nulo se os tribunais eclesiásticos considerarem fatos que ocorreram antes, e não depois do casamento.
Rosemari e Cláudio hoje vivem uma relação estável e feliz. Em paz com a Igreja e com a consciência.
Luiz Carmona, e sua esposa Eneida Carmona, fundadores da CUC, são psicólogo peritos do tribunal eclesiástico.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Rute: Mulher de Deus
Noêmi viu-se viúva com suas duas noras também viúvas, uma vez que havia falecido seu marido e seus dois filhos, numa época em que a condição da mulher era de total dependência, tanto financeira, como humana, no sentido afetivo, psicológico e emocional, até por conta da cultura, educação e os valores. A própria Noêmi demonstra que embora numa atitude nobre de dar liberdade às suas noras, escondia dentro de si, uma desilusão com a vida, um sentimento de culpa pois declarava que a “mão do Senhor pesou sobre ela” . Estaria então fadada a tal situação, não via saída, sua idade avançada não lhe permitia ter esperança nem expectativa de uma vida diferente, restava-lhe então voltar a sua terra natal, numa conotação que percebe-se por suas declarações, de derrota, humilhação e muita dor. Ela mesma muda seu nome, optando por Mara, que significa amargura, no lugar de seu nome original, Noêmi, que significa doçura. Aí vemos claramente a expressão de uma mulher que sente-se abandonada e rejeitada, até pelo próprio Deus. Fadada a esperar a morte, já que a vida não lhe prometia mais nada, um coração na condição de Noêmi, é um campo para depressão e angústia. Além da dor, do luto pela viuvez, essa condição vai além disso e alcança a dimensão do sentimento pois ela experimentava o luto numa condição dolorosa de perda, isto é, perda de esperança, perda de possibilidade de mudança, perda da dignidade pela sua condição de mulher, numa terra que não lhe proporcionava condições nem mesmo de manter sua sobrevivência e perda do valor como pessoa, uma vez que sua condição era de total dependência.
No entanto, vemos em Rute, também viúva e jovem, a determinação e a coragem de quem não volta atrás, mas assume a condição que a vida lhe proporciona sem perder as oportunidades, não importando as circunstâncias em que se encontra. Uma vez que havia entrado para aquela família, não desistiria facilmente, ao contrário, mesmo numa condição socialmente inferior, não sente-se humilhada por trabalhar para garantir seu sustento e o de sua sogra, mas parte para a luta. Vemos na observação do servo que a identifica para seu patrão: “Está, aí, sempre de pé, desde a manhã até agora” a postura de quem não se deixa abater, a determinação de quem é forte, corajosa e objetiva. Não usou de sua condição para manipular ou seduzir o mundo, não tirou proveito ou fez disso um meio menos digno de garantir suas vidas, a dela própria e de sua sogra. Mesmo que de imediato o mundo não nos valorize, Deus jamais deixa passar despercebidas nossas atitudes de coragem, quando nossos objetivos são justos e sinceros por isso jamais nos abandona, ao contrário, faz de cada situação, mesmo difícil, uma oportunidade de vitória, que só os sábios e tementes podem perceber e valorizar.
É interessante notar também, como a postura de Rute, trouxe à Noêmi, novas esperanças, revigorou nesta mulher a sabedoria e a astúcia, pois com sua vivência e conhecimento dos fatos, ela própria já passa a fazer planos para o futuro e os expõe à nora. De fato, mulheres como Rute, conseguem pelo seu exemplo, se tornarem referência para outras, transmitir-lhes novas esperanças, um novo vigor à vida. Pelo texto bíblico foi da geração de Rute e seu novo marido Booz, que chegamos a Davi. Devemos admitir então, que embora os caminhos de Deus, nem sempre nos são claros, não devemos nunca desistir, voltar atrás, questionar ou adoecer, ao contrário, ao invés de um “Porque?” é mais coerente perguntar “Para que?”. E sem demora, aquela situação ou circunstância de nossas vidas, que pareciam sem saída, uma derrota, irão demonstrar sua real finalidade.
REFLEXÕES
Como você mulher, encara sua situação no mundo?
Como assume cada papel que a vida lhe propõe, como encargos, fardos ou missões?
Mediante os desafios da vida, via de regra sua postura é de fuga ou avança com coragem?
Quando os seus projetos não acontecem, sente-se uma perdedora, ou sabe discernir quando é tempo de ceder ou renunciar se preciso?
Trecho retirado do módulo "Mulheres de Deus"
Você pode adquirir nossos módulos para sua formação humana e espiritual e estará colaborando com o nosso trabalho.
Deus abençoe!
Mulheres de Deus: Introdução
Na história da humanidade a mulher passou por transformações no que concerne a sua postura, como o mundo a vê, como ela própria se percebe. Em tempos remotos ela não tinha voz nem vez, fora um objeto na mão dos homens e da própria sociedade, vista como meio apenas de procriação, foi adquirindo seu espaço, mostrando sua força e seu valor e quando pela sociedade ela alcança um status, percebe-se que por sua própria postura passa a perder, se não tomar cuidado, a sua dignidade, o respeito e o valor.
Mas certo é que Deus sempre lhe reservou um lugar especial, infelizmente por desobediência ela foi um dia, à luz do entendimento espiritual, a porta do pecado. Porém, como Deus não se engana, investe novamente na figura da mulher, aquela que Ele mesmo advertiu que calcaria o pecado aos seus pés e temos na pessoa de Maria, a porta da salvação. Missão esta, que a mesma assumiu por características tão simples, porém profundas, que cabem muito bem ao gênero feminino: a humildade (que não é humilhação), a força (que não é bruta), o temor (que não é medo), a sabedoria (que não é apenas inteligência), a obediência (que não é escravidão), o silêncio (que não é mudez), a coragem (que não é da estupidez), a autoridade (que não é autoritarismo) e entre muitas outras virtudes, a que lhe é peculiar: o amor, fonte de vida (jamais de morte), caminho de crescimento (jamais de divisão).
São muitos os exemplos de mulheres que embora no meio de dificuldades, tribulações e questões que pareciam impossíveis de terem saída, encontraram soluções, especialmente porque suas atitudes, sua maneira de enfrentar e seu entendimento, iam além dos valores e conceitos humanos, recorreram à fé, por confiar em Deus, com a certeza que é único, infalível e fiel àqueles que a Ele recorrem com coração aberto e sincero, entregando-lhe sem resistência, toda sua vida, pensamentos, decisões, sentimentos, objetivos, ainda que arriscassem tudo, até a vida, porém confiantes que para Ele tudo é possível e a vitória é certa.
Assim encontramos os exemplos bíblicos de:
RUTE – livro de Rute (Cap.1-4)
ESTER – livro de Ester (Cap. 1 – 16)
JUDITE – livro de Judite (Cap. 1 – 16)
SUZANA - livro de Daniel (Cap. 13)
Trecho retirado do módulo "Mulheres de Deus"
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Deus abençoe!
Biografia de Bento 16
Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural.
O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.
Precisamente nesta complexa situação, descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo; fundamental para ele foi a conduta da sua família, que sempre deu um claro testemunho de bondade e esperança, radicada numa conscienciosa pertença à Igreja.
Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos.
Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951.
Um ano depois, começou a sua actividade de professor na Escola Superior de Freising.
No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».
Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.
De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia.
A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.
Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. A 28 de Maio seguinte, recebeu a sagração episcopal. Foi o primeiro sacerdote diocesano, depois de oitenta anos, que assumiu o governo pastoral da grande arquidiocese bávara. Escolheu como lema episcopal: «Colaborador da verdade»; assim o explicou ele mesmo: «Parecia-me, por um lado, encontrar nele a ligação entre a tarefa anterior de professor e a minha nova missão; o que estava em jogo, e continua a estar – embora com modalidades diferentes –, é seguir a verdade, estar ao seu serviço. E, por outro, escolhi este lema porque, no mundo actual, omite-se quase totalmente o tema da verdade, parecendo algo demasiado grande para o homem; e, todavia, tudo se desmorona se falta a verdade».
Paulo VI criou-o Cardeal, do título presbiteral de “Santa Maria da Consolação no Tiburtino”, no Consistório de 27 de Junho desse mesmo ano.
Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional que teve lugar em Guayaquil (Equador) de 16 a 24 de Setembro. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.
Foi Relator na V Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizada em 1980, que tinha como tema «Missão da família cristã no mundo contemporâneo», e Presidente Delegado da VI Assembleia Geral Ordinária, celebrada em 1983, sobre «A reconciliação e a penitência na missão da Igreja».
João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981. No dia 15 de Fevereiro de 1982, renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de München e Freising. O Papa elevou-o à Ordem dos Bispos, atribuindo-lhe a sede suburbicária de Velletri-Segni, em 5 de Abril de 1993.
Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.
A 6 de Novembro de 1998, o Santo Padre aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia.
Em 1999, foi como Enviado especial do Papa às celebrações pelo XII centenário da criação da diocese de Paderborn, Alemanha, que tiveram lugar a 3 de Janeiro.
Desde 13 de Novembro de 2000, era Membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências.
Na Cúria Romana, foi Membro do Conselho da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados; das Congregações para as Igrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para a Educação Católica, para o Clero, e para as Causas dos Santos; dos Conselhos Pontifícios para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e para a Cultura; do Tribunal Supremo da Signatura Apostólica; e das Comissões Pontifícias para a América Latina, «Ecclesia Dei», para a Interpretação Autêntica do Código de Direito Canónico, e para a revisão do Código de Direito Canónico Oriental.
Entre as suas numerosas publicações, ocupam lugar de destaque o livro «Introdução ao Cristianismo», uma compilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro «Dogma e Revelação» (1973), uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.
Grande ressonância teve a conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema «Por que continuo ainda na Igreja?»; com a sua habitual clareza, afirmou então: «Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja».
No decurso dos anos, continuou abundante a série das suas publicações, constituindo um ponto de referência para muitas pessoas, especialmente para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia. Em 1985 publicou o livro-entrevista «Relatório sobre a Fé» e, em 1996, «O sal da terra». E, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, publicou o livro «Na escola da verdade», onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.
Recebeu numerosos doutoramentos «honoris causa»: pelo College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; pela Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; pela Universidade Católica de Lima, em 1986; pela Universidade Católica de Lublin, em 1988; pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999; pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polónia) no ano 2000.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
OS BAILES E OUTROS DIVERTIMENTOS PERMITIDOS, MAS PERIGOSOS.
As danças e os bailes são coisas de si inofensivas; mas os costumes de nossos dias tão afeitos estão ao mal, por diversas circunstâncias, que a alma corre grandes perigos nestes divertimentos. Dança-se à noite e nas trevas, que as melhores iluminações não conseguem dissipar de todo, e quão fácil que debaixo do manto da escuridão se façam tantas coisas perigosas num divertimento como este, que é tão propício ao mal. Fica-se aí alta hora da noite, perdendo-se a manha seguinte e conseguintemente o serviço de Deus.
Numa palavra, é uma loucura fazer da noite dia e do dia noite, e trocar os exercícios de piedade por vãos prazeres. Todo baile está cheio de vaidade e emulação e a vaidade é uma disposição muito favorável às paixões desregradas e aos amores perigosos e desonestos, que são as conseqüências ordinárias dessas reuniões. Referindo-me aos bailes, Filotéia, digo-te o mesmo que os médicos dizem dos cogumelos, afirmando que os melhores não prestam para nada.
Se tens que comer cogumelos, vejas que estejam bem preparados e não comas muito, por que, por melhor preparados que estejam, tornam-se, todavia, um verdadeiro veneno, se são ingeridos em grande quantidade. Se em alguma ocasião, não podendo te escusar, fores coagida a ir ao baile, presta ao menos atenção que a dança seja honesta e regrada em todas as circunstâncias pela boa intenção, pela modéstia, pela dignidade e decência, e dança o menos possível, para que teu coração não se apegue a essas coisas. Os cogumelos, segundo Plínio, como são porosos e esponjosos, se impregnam facilmente de tudo quanto lhes está ao redor, até mesmo do veneno de uma serpente que por perto deles se arraste. Do mesmo modo, essas reuniões à noite arrastam para seu meio ordinariamente todos os vícios e pecados que vão alastrando pela cidade, os ciúmes, as pedanterias, as brigas, os amores loucos; e, como o aparato, a influência e a liberdade, que reinam nestas festas, agitam a imaginação, excitam os sentidos e abrem o coração a toda sorte de prazeres, caso a serpente murmure aos ouvidos uma palavra indecente ou aduladora, caso se seja surpreendido por algum olhar dum basilisco, os corações estarão inteiramente abertos e predispostos a receber o veneno. Ó Filotéia, esses divertimentos ridículos são de ordinário perigosos.
Dissipam o espírito de devoção, enfraquecem as forças da vontade, esfriam os ardores da caridade e suscitam na alma milhares de más disposições. Por estas razões nunca se deve freqüentá-los, e, no caso de necessidade, só com grandes precauções. Diz-se que, depois de comer cogumelos, é preciso beber um gole do melhor vinho existente; e eu digo que, depois de assistir a estas reuniões, convém muito refletir sobre certas verdades santas e compenetrantes para precaver e dissipar as tentadoras impressões que o vão prazer possa ter deixado no espírito. Eis aqui algumas que muito te aconselho:
1. Naquelas mesmas horas que passaste no baile, muitas almas se queimavam no inferno por pecados cometidos na dança ou por suas más conseqüências.
2. Muitos religiosos e pessoas piedosas, nessa mesma hora estavam diante de Deus, cantando seus louvores e contemplando a sua bondade; na verdade, o seu tempo foi muito mais empregado que o teu !…
3. Enquanto dançavas, muitas pessoas se debatiam em cruel agonia, milhares de homens e mulheres sofriam dores atrocíssimas em suas casas ou nos hospitais. Ah ! eles não tiveram um instante de repouso e tu não tiveste a menor compaixão deles; não pensas tu agora que um dia hás de gemer como eles, enquanto outros dançarão?!…
4. Nosso Senhor, a SS. Virgem, os santos e os anjos te estavam vendo no baile. Ah! Quanto os desgostaste nessas horas, estando o teu coração todo ocupado com um divertimento fútil e tão ridículo!
5. Ah! Enquanto lá estavas, o tempo se foi passando e a morte se foi aproximando de ti; considera que ela te chame para a terrível passagem do tempo para a eternidade e para uma eternidade de gozos ou de sofrimentos.
Eis aí as considerações que te queria sugerir; Deus te inspirará outras mais fortes e salutares, se tiveres santo temor a ele.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Sto. Agostinho: As Idades Espirituais do Homem
Eis como a Divina Providência realiza no tempo a recuperação dos homens a quem o pecado fez merecer a condição mortal.
Primeiramente, todo homem, ao nascer neste mundo, só se entretém com suas condições naturais e de aprendizado.
Na primeira idade, passa a cuidar de seu corpo. Tudo isso é esquecido ao crescer. Segue-se a infância. Dessa já começamos a nos lembrar de mais algumas coisas. À infância, sucede a adolescência. Nela, a natureza torna o homem capaz de procriar e torna-se pai. À adolescência segue-se a juventude, em que já são exercidas funções públicas, sob a imposição das leis. Durante ela, a proibição de pecar é mais veemente e o castigo das transgressões oprime servilmente. Provoca-nos ânimos carnais, impetos libidinosos mais violentos a agravar todos os delitos cometidos. Porque não é pecado simples cometer o que não somente é mau, mas também proibido.
Depois das dificuldades da mocidade, a idade madura concede certa paz. Vem em seguida, uma idade de desgaste e declínio, sujeita à fraqueza e enfermidades, até chegar a morte.
Eis a vida do homem que vive conforme o corpo e deixa-se prender pela cobiça das coisas temporais. É o chamado homem velho e exterior, o homem terreno. Mesmo que tenha o que o vulgo chama de felicidade, vivendo em cidade terrena bem organizada, sob o governo de reis ou chefes, regida por leis ou por tudo de bom ao mesmo tempo. Aliás sem isso, um povo não pode se organizar como deve, mesmo se um só tenha objetivos terrestres. Na verdade, todo homem possui certa medida de beleza.
O homem novo: interior e espiritual
Eis o homem que acabamos de descrever: homem velho, exterior e terreno, seja nele guardada a conveniente moderação, seja que haja nele excessos devidos à sua condição servil. Há muitas pessoas que levam integralmente tal gênero de vida, desde seu nascimento até à morte.
Outros, porém, tendo começado por aí, renascem interiormente, mortificam-se, eliminam por seu crescimento de sabedoria, tudo o que resta do homem velho. Apegando-se estreitamente às leis divinas, esperam para depois da morte visível a renovação integral. Esse é o chamado homem novo, interior e celestial. Ele possui também, por analogias, suas idades espirituais, que se distinguem não pelos anos, mas por seus progressos.
Na primeira idade, a História, sempre benfazeja, o alimenta em seu regaço, pelos exemplos fornecidos.
Na segunda idade, o homem começa a esquecer o que é simplesmente humano e tende ao que é divino. Não se sente limitado por autoridade humana; mas dá passos seguindo sua própria razão e adianta-se no seguimento da lei soberana e imutável.
Na terceira idade, já mais seguro, casa a cupidez de sua sensualidade com o vigor de sua razão e, sua alma (psíquica), unindo-se ao espírito, cobrindo-se sob o véu do pudor, goza interiormente de doçura quase conjugal. Já não vive bem, só por obrigação, mas mesmo quando todos consentissem no permitivismo, não teria nenhum prazer em pecar.
Na quarta idade, prossegue, intensificando esse mesmo esforço. Desabrocha em homem perfeito, pronto e disposto a enfrentar todas as perseguições e turbilhões deste mundo e a triunfar.
Na quinta — nessa idade da tranquilidade e sossego completo — ele vive nas riquezas e abundância do Reino inalterável da sabedoria inefável e soberana.
Na sexta — idade de transformação total na vida eterna — ele esquece totalmente a vida temporal e passa àquela forma perfeita, à imagem e semelhança de DEUS.
Na sétima, é o repouso eterno e a beatitude perpétua, na qual não se distinguem mais as idades.
Assim como o fim do homem velho é a morte, o fim do homem novo é a vida eterna. O homem velho é o homem do pecado, e o novo é o da justiça.
O Processo Evolutivo
Mas esses dois homens: o velho e o novo, indubitalvelmente são de tal modo feitos, que o primeiro, isto é, o velho e terreno, pode viver pór si só, por toda sua existência neste mundo. Mas o homem novo e celestial, certamente, não poderia se formar no curso desta vida, senão em companhia do velho. É necessário que o homem novo se inicie do velho, e conviva com ele até a morte visível. Ainda enquanto um vai se enfraquecendo, o outro vai se desenvolvendo.
Assim, guardadas as proporções, acontece com o gênero humano, cuja vida se desenrola como a de uma só pessoa, desde Adão até o fim deste século. Pelas leis da Divina Providência que a governa, aparece a humanidade distribuída em duas classes. Uma constituída dos ímpios que trazem impressa a imagem do homem terreno desde o início dos tempos até o seu fim. A outra classe é formada das gerações de um povo consagrado ao único DEUS.
Adão a João Batista, conduziu DEUS a vida do homem terreno sob certa justiça servil. Sua história chama-se Antigo Testamento, sob a promessa de um reino temporal. Mas toda esta história, no seu conjunto, nada mais é do que a imagem do novo povo do Novo Testamento, ao qual é prometido o reino dos céus. A vida deste povo, na fase temporal, vai da vinda do SENHOR à humildade, até sua volta à Glória, no dia do Juízo.
Depois do que, o velho homem, tendo desaparecido, será aquela transformação definitiva e prometida: uma vida angélica. “Porque todos ressucitaremos, mas nem todos seremos transformados.”(1Cor 15:51 – versão itálica).
O povo santo, pois, ressucitará para ver em si os restos do velho homem transfigurados no homem novo. O povo ímpio também ressucitará, após haver realizado o velho homem do inicio ao fim, mas será para cair numa segunda morte.
Os que lerem diligentemente as Escrituras, encontrarão aí a distinção das idades. Não se espantará de encontrar misturadas a cizânia e a palha. Porque o ímpio vive para o homem piedoso, o pecador para o justo, a fim de que ao lado deles, se levante com estímulo maior para atingir a perfeição.
Ação dos Profetas e dos Evangelizadores
No tempo em que o povo era terreno, os que mereceram atingir a iluminação homens interiores, foram os auxiliares da humanidade. Manifestaram ao povo o que exigia a idade em que se encontravam, e que ainda não estavam no tempo da manifestação. assim, aparecem os patriarcas e os profetas, aos olhos daqueles que em vez de se entregarem a ataques pueris, estudavam com piedade e diligência o tão benéfico e sublime mistério das realidades divinas e humanas.
Essa mesma função, no tempo atual do novo povo, são os varões insignes e espirituais, discípulos da Igreja Católica que assumem com muita prudência, como podemos constatar.
Quando eles compreendem que certa questão não deve ainda ser proposta para o povo, guardam-na, mas espalham largamente o leite à multidão ávida, dos que ainda são fracos.
Todavia, juntamente com pequeno número de sábios, eles se nutrem de alimentos mais fortes. Pregam a sabedoria entre os perfeitos. Aos homens carnais e psíquicos que — apesar de serem homens novos — são ainda crianças, eles velam algumas coisas, sem jamais usar de mentiras. Não procuram atrair para si vãos elogios e cumprimentos futéis. Só procuram o proveito dos que mereceram ser seus companheiros nesta vida.
Esta é Lei da Divina Providência: que ninguém, para conhecer e obter a Graça de DEUS, seja ajudado pelos que lhe estão acima, anão ser os que com desinteressado afeto tenham ajudado aos que estão abaixo.
Assim, mesmo depois do nosso primeiro pecado que foi cometido por um homem pecador, e por isso por nossa própria natureza, o gênero humano chega a ser a glória e o ornamento deste mundo. A ação da Divina Providência foi tal que pela arte de tratamento indescritível, a própria fealdade dos vícios transforma-se em não sei quê de belo.
Fonte: Agostinho,Santo. De vera Religione, A Verdadeira Religião. Cáp 26 à 28. Ed Paulus.
domingo, 9 de maio de 2010
Emoções que curam: O SENTIMENTO
O sentimento é fundamentado no cérebro emocional, que se refere a capacidade individual de experimentar as emoções. A pessoa afetiva se caracteriza pelo predomínio da sensibilidade sobre a inteligência e a atividade. É necessário o controle dessas emoções (medo, amor, cólera, tristeza, alegria e repugnância). Assim, eu sinto, por isso já faz parte de mim, ainda que não me entendam ou aceitem.
Se sinto atração por uma pessoa muito educada, porém, por conta de uma experiência negativa, minha reação pode depender do meu equilíbrio emocional e até mesmo da minha autenticidade em expressar os meus sentimentos, o que caracteriza a minha personalidade. Assim, se já sofri os dissabores de ter sido traído, ao menor indício de uma possível traição no novo relacionamento, estou sujeito a transferir meus sentimentos de insegurança, falta de confiança ou mágoa, mesmo sem fundamento algum.
Exemplo: imagine que eu admire um jovem muito afetivo, atencioso, romântico e quero conquistá-lo (pensamento); sendo também muito afetiva, atenciosa, romântica (sentimento) e o convido para jantar em minha casa (comportamento). No decorrer do dia, alguém me informa que o viu na floricultura de mãos dadas com uma moça. Se o meu temperamento for norteado por uma emoção descontrolada, certamente não reagirei adequadamente, pois o meu pensamento estará impregnado de suposições, o que pode influenciar os meus sentimentos e comportamentos. Posteriormente, venho a descobrir que a jovem é sua irmã e as flores eram para mim. É possível que a minha falta de controle emocional terá sido um grande obstáculo naquilo que poderia ser um bom relacionamento.
Quando a pessoa está bem ao ponto de vista da vida psíquica, esta consegue lidar com os seus conflitos e enfrentar o mundo, realizando atos inteligentes, resolvendo problemas adequadamente, sendo criativo, verbalizando as suas idéias, ajudando outras pessoas, etc.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Água benta
Afirmou um sacerdote, que inúmeros católicos, mesmo dos mais instruídos, não sabem para que serve a água benta. É pena! Por isso, não se beneficiam desse precioso instrumento instituído pela Igreja para ajudá-los em praticamente todas as circunstâncias e dificuldades da vida!
Para que serve?
Há várias formas de usá-la. A mais comum é persignar-se com ela. Outra é aspergi-la sobre si mesmo, sobre outras pessoas, lugares ou objetos. Qualquer leigo ou leiga pode fazer isto. Naturalmente, quando feito por um sacerdote tem mais peso.
Seu efeito mais importante é afastar o demônio. Este “ronda em torno de nós como o leão que ruge”, procurando fazer- nos toda espécie de mal, como nos adverte São Pedro (I Ped 5,8). Os espíritos malignos, cujas misteriosas e sinistras operações afetam às vezes até as atividades físicas do homem, querem, antes de tudo, induzir-nos ao pecado grave, que conduz ao inferno. Para isto empregam todos os recursos. Às vezes, por exemplo, provocam em nós um sem número de incômodos físicos ou psicológicos.
Outras vezes provocam pequenos incidentes, em nosso dia-a-dia, criam atrapalhações que parecem ter causas meramente naturais.
Por exemplo, na hora de cumprir um dever, a pessoa sente um inexplicável mal-estar, um inesperado desânimo, uma estranha dor de cabeça… Em certas oportunidades, sem qualquer motivo, o marido fica repentinamente irritado contra a esposa, ou vice-versa, daí surge uma discussão e se quebra a paz do lar. Ou, então, o pai ou a mãe deixa-se levar por um movimento de impaciência e repreende duramente o filho, em vez de admoestá-lo com doçura. O filho se revolta, sai de casa. Está criado um problema! Tudo isso pode ser evitado afugentando o demônio com um simples sinal da cruz, feito com água benta. Quando você sentir uma irritação estranha, faça essa experiência, e preste atenção no efeito salutar que produz! Logo lhe voltará a serenidade.
Além do mais, a água benta é um sacramental que nos alcança o perdão dos pecados veniais, pode livrar-nos de acidentes (trânsito, assaltos, quedas), e ajuda até a curar doenças. O conhecido livro “Tesouro de Exemplos” conta que uma criança gravemente enferma ficou imediatamente curada ao receber a bênção de São João Crisóstomo com água benta.
A água benta, como todo sacramental, leva-nos a invocar, nas diversas circunstâncias do dia, o socorro do Divino Espírito Santo, para o bem de nossa alma e de nosso corpo.
Outro benefício muito interessante e pouco conhecido: ela pode ser usada eficazmente em proveito de pessoas que se acham distantes de nós. E mais, cada vez que a utilizamos para fazer o sinal da- cruz, na intenção das almas do purgatório, elas são aliviadas dos seus sofrimentos.
De onde vem esse poder maravilhoso?
Vem do fato de ser ela um sacramental instituído pela Santa Igreja Católica.
O sacerdote benze a água, enquanto ministro de Deus, em nome da Igreja e na qualidade de representante dela, cujas orações nosso Divino Salvador sempre atende com benevolência.
É importante lembrar que para ser verdadeiramente água benta, ela precisa ser benzida pelo sacerdote segundo o cerimonial prescrito pela Igreja, no “Ritual de Bênçãos” e no próprio “Missal Romano”, ambos publicados pela CNBB.
São belas e altamente significativas as orações para a bênção da água.
Portanto, não se esqueça!
É muito conveniente ter sempre consigo água benta para usar em qualquer circunstância. Por exemplo, benzer-se com ela ao sair e ao entrar na igreja, em casa ou no local de trabalho; ao iniciar uma oração, um serviço, uma viagem. Para afastar do lar a influência maléfica dos demônios, é muito aconselhável aspergir na casa algumas gotas de vez em quando. Isto pode ser feito por qualquer pessoa da família. É claro que pedir a um Padre para benzer a casa é muito melhor! Portanto, a água benta é sempre eficaz.
O que são Sacramentais?
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Como chegar aos 100 anos
NOVA YORK (Reuters Life!) - Acompanhar o ritmo da cultura pop, as tendências recentes como iPods e mensagens de texto, e um jantar com a atriz Betty White podem ser a chave para a longevidade, de acordo com pessoas que conhecem o assunto --os centenários.
Manter atividade social, seguir uma dieta saudável, fazer exercícios e dormir o bastante tampouco prejudicam.
"Se eu pudesse deixar uma mensagem, seria a de que uma pessoa jamais deveria parar de aprender. Ponto. É isso", disse Maurice Eisman, centenário morador de Maryland.
Eisman foi um dos 100 centenários entrevistados em uma pesquisa sobre os segredos da longevidade.
Rir e rezar também têm papel importante, bem como manter a conexão com a família e os amigos e acompanhar os acontecimentos e aparelhos atuais.
Oito por cento dos centenários afirmaram que haviam usado mensagens de texto ou instantâneas, ante 1 por cento no ano anterior. E 12 por cento deles estavam usando iPods, quatro por cento a mais do que há três anos, de acordo com pesquisa conduzida pela GfK Roper para a Evercare.
Há quase mil centenários vivos nos Estados Unidos, e o número deve chegar a mais de 601 mil em 2050, de acordo com o Serviço de Recenseamento dos EUA.
"Acredito que todo mundo tem alguma coisa a dizer sobre o que está acontecendo em sua vida, e não deve aceitar as coisas passivamente", afirmou Marie Keeler, 101, de Minnesota.
Muitos centenários disseram acompanhar a cultura popular, ouvindo música ou assistindo a vídeos em computadores, e 11 por cento deles disseram ter assistido a um vídeo no YouTube.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Será que Jesus existiu mesmo? Será que fundou a Igreja mesmo?
Vamos responder a cada uma dessas perguntas. Comecemos pela existência histórica de Jesus Cristo.
Além dos Evangelhos e Cartas dos Apóstolos, a mesma História que garante a existência dos faraós do Egito, milhares de anos antes de Cristo, garante a existência de Jesus. Muitos documentos antigos, cuja autenticidade já foi confirmada pelos historiadores, falam de Jesus. Vamos aqui dar apenas alguns exemplos disso e mostrar que Nosso Senhor Jesus Cristo não é um mito.
Documentos de escritores romanos (110-120):
1.Tácito (Publius Cornelius Tacitus, 55-120), historiador romano, escritor, orador, cônsul romano (ano 97) e procônsul da Ásia romana (110-113), falando do incêndio de Roma, que aconteceu no ano 64, apresenta uma notícia exata sobre Jesus, embora curta:
“Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então, para cortar o mal pela raiz, Nero imaginou culpados e entregou às torturas mais horríveis esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vêm-lhes de Cristo, que, sob o reinado de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha a sua origem, mas na própria cidade de Roma” (Anais, XV, 44).
2. Plínio o Jovem (Caius Plinius Cecilius Secundus, 61-114), sobrinho de Plínio, o Velho, foi governador romano da Bitínia (Asia Menor), escreveu ao imperador romano Trajano, em 112:
“[...] os cristãos estavam habituados a se reunir em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus” (Epístolas, I.X 96).
3. Suetônio (Caius Suetonius Tranquillus, 69-126), historiador romano, no ano 120, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (41-54), afirma que este “expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestós (forma grega equivalente a Christós, Cristo), se haviam tornado causa frequente de tumultos” (Vita Claudii, XXV).
Esta informação coincide com o relato dos Atos dos Apóstolos 18,2, onde se lê: “Cláudio decretou que todos os judeus saíssem de Roma”; esta expulsão ocorreu por volta do ano 49/50. Suetônio, mal informado, julgava que Cristo estivesse em Roma, provocando as desordens.
Documentos judaicos:
1. O Talmud (Coletânea de leis e comentários históricos dos rabinos judeus posteriores a Jesus) apresentam passagens referentes a Jesus. Note que os judeus combatiam a crença em Cristo, daí as palavras adversas ao Senhor.
Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia:
“Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: “Merece ser lapidado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferi-lo!” Nada, porém se encontrou que o justificasse; então suspenderam-no à haste na véspera da Páscoa.”
2. Flávio Josefo, historiador judeu (37-100), fariseu, escreveu palavras impressionantes sobre Jesus:
“Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com júbilo a verdade, e arrastou muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz, mas os seus fieis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos” (Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a).
Documentos Cristãos:
Os Evangelhos narram, com riqueza de detalhes históricos, geográficos, políticos e religiosos a terra da Palestina no tempo de Jesus. Os evangelistas não poderiam ter inventado tudo isso com tanta precisão.
São Lucas, que não era apóstolo nem judeu, fala dos imperadores César Augusto, Tibério; cita os governadores da Palestina: Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias e outros personagens como Anás e Caifás (cf. Lc 2,1;3,1s). Todos são muito bem conhecidos da História Universal.
São Mateus e São Marcos falam dos partidos políticos dos fariseus, herodianos, saduceus (cf. Mt 22,23; Mc 3,6).
São João cita detalhes do Templo: a piscina de Betesda (cf. Jo 5,2), o Lithóstrotos ou Gábala (cf. Jo 19, 13), e muitas outras coisas reais. Nada foi inventado, tudo foi comprovado pela História.
Além dos dados históricos sobre a vida real de Jesus Cristo, tudo o que Ele fez e deixou seria impossível se Ele não tivesse existido. Um mito não poderia chegar ao século XXI [...] com mais de um bilhão de adeptos.
Os Apóstolos e os evangelistas narraram aquilo de que foram testemunhas oculares; não podiam mentir sob pena de serem desmascarados pelos adversários e perseguidores da época. Eles eram pessoas simples, alguns, pescadores e nunca teriam a capacidade de ter inventado um Messias do tipo de Jesus: Deus-homem, crucificado, algo que era considerado escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Jamais isso seria possível com Israel sob o jugo romano, dominador intransigente.
Outro fato marcante é que os judeus esperavam um Messias “libertador político”, que libertasse Israel dos romanos, no entanto, os Evangelhos narram um Jesus rejeitado pelos judeus, e que vem como libertador espiritual e não político. Os apóstolos teriam a capacidade e a coragem de inventar isso? Homens rudes da Galileia não teriam condições também de forjar um Jesus tão sábio, santo, inteligente, desconcertante tantas vezes.
Tem mais, a doutrina que Jesus pregava era de difícil vivência no meio da decadência romana; o orador romano Tácito se referia ao Cristianismo como “desoladora superstição”; Minúcio Félix falava de “doutrina indigna dos gregos e romanos”. Os Apóstolos não teriam condições de inventar uma doutrina tão diferente para a época.
Será que poderia um mito ter vencido o Império Romano? Será que um mito poderia sustentar os cristãos diante de 250 anos de martírios e perseguições? O escritor cristão Tertuliano (†220), de Cartago, escreveu que “o sangue dos mártires era semente de novos cristãos”.
Será que um mito poderia provocar tantas conversões, mesmo com sérios riscos de morte e perseguições?
No século III já havia cerca de 1.500 sedes episcopais (bispos) no mundo afora. Será que um mito poderia gerar tudo isso? É claro que não.
Será que um mito poderia sustentar uma Igreja, que começou com doze homens simples, e que já tem 2.000 anos; que já teve 264 Papas e que tem hoje mais de 4.000 bispos e cerca de 410 mil sacerdotes em todo o mundo? As provas são evidentes. Negar, historicamente que Jesus existiu, seria equivalente a negar a existência de Platão, Herodes, Pilatos, Júlio César, Tibério, Cleópatra, Marco Antônio, entre outros.
Prof. Felipe Aquino
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
Verdades e Mitos sobre os Santos da Igreja
Os pagãos tributavam esta apoteose exclusivamente aos Imperadores e aos membros e protegidos da família imperial. Não se tem notícia de que endeusassem um homem do povo. Os cristãos, ao contrário, reconhecem como santos tanto reis e pontífices como irmãos mais simples, como o cozinheiro São Benedito.
A Igreja só considera santos aqueles que tenham praticado as virtudes em grau comprovadamente heróico. A canonização deles se inspira em costumes bíblicos: o autor do Eclesiástico escreveu o “Louvor dos Pais (Enoque, Noé, Abraão, Isaque, os justos...)”, redigindo desta forma o primeiro catálogo ou cânon dos santos de Israel (cf. Eclo 44-51).
Algumas fontes históricas revelam que, na segunda metade do século II, estabeleceu-se o belo costume de celebrar a Eucaristia em cima do túmulo dos mártires, no dia do aniversário de sua morte, para invocar a intercessão deles.
O primeiro modelo de cristão a ser cultuado pelos fiéis foi o do mártir. Este desde cedo foi tido como o imitador mais perfeito de Cristo, já que o Senhor disse que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).
Conscientes disso, os antigos cristãos recolhiam, reverentes, as relíquias dos mártires e anualmente comemoravam o natalício deles, ou seja, a sua entrada na glória celeste, celebrando sobre o túmulo deles o santo sacrifício da Santa Missa. Tal foi a mais antiga forma de canonização, atestada por documentos do século II, como por exemplo, a de São Policarpo de Esmirna na Ásia Menor (cf. Martírio de S. Policarpo 18,3).
Mas já nesses primeiros séculos, nota-se o cuidado das autoridades eclesiais de não permitir a veneração de qualquer aparente vítima de perseguição. Os bispos examinavam as “Atas dos mártires”, isto é, os testemunhos referentes a cada cristão perseguido, a fim de verificar se, de fato, este morrera por amor à fé. E conforme o resultado desse exame, permitiam ou não o culto do mártir. Uma vez reconhecido um autêntico herói cristão, a comunidade cristã, a que ele pertencia, enviava às demais uma carta circular (Ata), narrando o glorioso martírio do santo, de modo que os irmãos fossem edificados.
Após o período de perseguições dos romanos, que terminou no ano 313 com a Paz de Constantino (Edito de Milão), os cristãos começaram, então, a construir capelas e igrejas sobre os túmulos dos mártires. Tais construções são inúmeras em Roma e em todo o mundo.
O imperador Constantino, logo, construiu a primeira Basílica de S. Pedro sobre o túmulo deste santo, onde está hoje.
Esta veneração dos mártires, após as perseguições romanas, estendeu-se aos monges, uma vez que viviam em espírito de martírio nos desertos. Era o martírio não da espada, mas da paciência e da renúncia absoluta. Depois esta prática se estendeu também aos bispos e sacerdotes e demais fiéis do povo de Deus, que tinham vivido em santidade.
No início, o povo cristão aclamava a santidade de alguém e cabia aos bispos serem os juízes dessa devoção espontânea. Só a partir da Idade Média é que teve início o processo formal de canonização dos santos, como ocorre hoje.
A partir do século IV, começou a ser honrado outro tipo de santo: o chamado “confessor”, ou seja, o justo que, sem ter derramado o sangue para confessar a fé, a havia professado, praticando as virtudes em grau heróico. Esta nova modalidade da piedade cristã se deve ao fato de que, após a paz instaurada por Constantino (313), as ocasiões de martírio diminuíram.
Diversos concílios da Antigüidade e do início da Idade Média tiveram de proibir o culto público tributado aos servos de Deus antes que a autoridade eclesiástica se tivesse oficialmente pronunciado a seu respeito. Também promulgaram cânones que mandavam cancelar das listas dos santos nomes ali prematuramente inseridos devido ao fervor popular. Os nomes de santos cultuados em determinada diocese eram comunicados a outras dioceses, de modo que havia justos unanimemente venerados na Igreja universal, enquanto que outros só gozavam de culto local.
O Concílio Ecumênico de Nicéia II (787) declarou lícito o uso de imagens sagradas: a estas se presta um culto relativo à pessoa ou representada pela imagem. Tal culto em relação aos santos é de veneração (dulia) e não de adoração (latréia, latria), a qual compete só a Deus.
O Papa João XV (985-996), em 993, realizou a primeira canonização formal. O primeiro santo canonizado foi Santo Ulrico, Bispo de Augsburgo (Baviera), falecido em 973. Nessa ocasião, João XV escreveu a Encíclica “Cum conventus esset” aos Bispos da Alemanha e da Gália, na qual destacou dois importantes princípios da veneração aos santos: “Honramos os Servos para que a honra recaia sobre o Senhor, que disse: ‘Quem vos acolhe, a Mim acolhe’ (Mt 10,40). Além do que, nós, que não podemos confiar em nossas próprias virtudes, sejamos sempre ajudados pelas preces e os méritos dos Santos” (Denzinger-Schönmetzer, Enquirídio n.º 756 [342]).
Daí em diante, cabia exclusivamente à Santa Sé o direito de confirmar os santos que poderiam ser venerados.
Na Idade Média, o Concílio do Latrão IV (1215), em Roma, promulgou uma advertência sobre abusos ocorrentes no culto das relíquias. Na época, por causa da fragilidade humana, havia abusos quanto à veneração desses objetos sagrados, mas isso não justificava suprimir o uso justificado por motivos teológicos.
É importante notar que tanto Lutero quanto Calvino aceitavam a veneração dos santos, uma vez que isso é algo humano e natural. O que eles contestavam era a função intercessora destes servos de Deus; porque parecia-lhes substituir a ação salvífica de Jesus Cristo. Coisa que estavam enganados, visto que uma coisa não exclui a outra.
Felipe Aquino
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de Aprofundamentos no país e no exterior, já escreveu 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe
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sábado, 3 de abril de 2010
DISTÚRBIOS DO COMPORTAMENTO
Podemos dizer que entramos em contato com o mundo através de nossos órgãos dos sentidos. A visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato são a grosso modo falando, como se fossem os olhos da nossa alma, eles estão a serviço do nosso psiquismo.
Para percebermos o mundo ao nosso redor, temos que nos valer dos sistemas sensoriais, ou seja, após uma série de processamentos no cérebro, finalmente a informação é enviada ao seu centro específico, visão, audição, olfato, paladar e tato. Mas nem sempre o que percebemos é de fato o mesmo que sentimos, por exemplo: a fadiga, ansiedade ou afeto. O uso de drogas, álcool, etc., podem modificar a percepção e o sentimento, além disso, as influências culturais e pessoais, também interagem neste sentido. Assim, a percepção revela à nós que existe algo e a sensação diz que algo é esse. Por isso, deve sempre haver perfeita integração entre os estímulos e as sensações.
A integração dos órgãos dos sentidos é muito importante. Por exemplo, o gosto de uma comida depende muito do funcionamento conjunto dos receptores do sabor e do aroma, porisso a comida pode parecer sem gosto quando estamos com o nariz entupido. Isso ocorre freqüentemente na mulher grávida, pois sua capacidade de perceber o aroma é diferente. Aliás, muita coisa nesta fase da vida fica alterada.
Um outro exemplo pode ser o das cores. Não dá para ter certeza que alguém veja a cor vermelha ou qualquer outra, na mesma intensidade que eu vejo. Por exemplo, se o indivíduo estiver sob efeito de cocaína, pode fazer com que este veja as cores com um brilho diferente. Podemos dizer que há influência marcante na percepção mediante o uso de álcool também. Além disso, o estado emocional da pessoa poderá influenciar nos processos de percepção e do pensamento, por exemplo, a pessoa amedrontada, percebe mais intensamente um pequeno ruído em seu quarto à noite com a luz apagada antes de dormir. Porisso, é conveniente que não assistamos a determinados filmes, muito especialmente as crianças, isso estende-se a outros programas de TV também, portanto, é adequado selecionarmos melhor aquilo que é bom para nós.
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sexta-feira, 26 de março de 2010
Revista Isto É fala sobre "Exorcísmo"
A igreja enfrenta seus demônios
O Vaticano reconhece a existência do diabo em suas fileiras. E prepara seu exército para contra-atacar a presença do mal
O exorcista-chefe do Vaticano, Gabriele Amorth, espantou o mundo na semana passada ao declarar, alto e bom som, que “o demônio está à solta no Vaticano”. A justificativa para tal desabafo, que macula a residência oficial dos católicos com a fumaça do diabo, foram os inúmeros e incômodos casos de pedofilia envolvendo religiosos e o atentado ao papa Bento XVI no Natal do ano passado. Casos recentes não faltam para sustentar a indigesta frase do padre Amorth, que já tem 85 anos e dedicou os últimos 25 à realização de 70 mil rituais de expulsão do diabo do corpo de fiéis atormentados. No Chile, um padre espanhol da Congregação de Clérigos de São Viator foi preso com 400 horas de vídeos que continham pornografia infantil, boa parte produzida pelo próprio sacerdote. Já no Brasil, dois monsenhores e um padre da cidade de Arapiraca, Alagoas, foram acusados de abusar sexualmente de seus coroinhas. “Quando se fala de Satanás dentro do Vaticano, é de casos como esses que está se falando”, reitera o exorcista. Para Amorth, o diabo existe, não é uma entidade subjetiva ou simbólica, e precisa ser enfrentado. E o que poderia ser tratado como um arroubo medieval em outras épocas hoje ganha força considerável com um lobby de peso: o do próprio papa Bento XVI, que acredita no demônio e defende a volta dos rituais de exorcismo.
“Quando se fala na fumaça de Satanás no Vaticano, é de
casos de pedofilia e violência na Igreja que está se falando”
Padre Gabriele Amorth, exorcista-chefe do Vaticano
O sumo pontífice quer criar um exército de sacerdotes exterminadores de demônios pelo mundo, mas tem uma tarefa árdua pela frente. Tanto o diabo quanto os exorcistas estão fora de moda pelo menos desde o século XX. Até mesmo entre os católicos, leigos e religiosos, que consideram muito caricata e teatral a figura demoníaca e preferem subjetivar o mal, deixando-o, assim, mais palatável para o racionalismo vigente. Com o advento da psiquiatria e os avanços da medicina, muito do que se atribuía ao diabo passou a ser explicado e remediado pela ciência. Desvios como os dos padres do coral Regensburger Domspatzen e dos brasileiros de Arapiraca ganharam nome de sintomas psiquiátricos. Até quem se diz possuído pelo demônio já tem diagnóstico reconhecido pela quarta edição do manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais, publicado em 1994 – a pessoa seria vítima de um “Transtorno Dissociativo Sem Outra Especificação”. A Satanás, cuja própria existência foi colocada em dúvida, sobrou o papel de representação simbólica do mal. Enquanto isso, o ofício de exorcista, em baixa, parou de atrair seminaristas. Com o tempo, um corpo de religiosos majoritariamente ignorante no assunto se estabeleceu na hierarquia clerical. “A quase totalidade do episcopado católico nunca fez exorcismos nem assistiu a um ritual”, acusa o padre Amorth. Também boa parte dos bispos, responsáveis pela investidura do cargo de exorcista oficial a um dos sacerdotes de suas dioceses, abandonou a obrigação. Muitos não acreditam sequer na existência do demônio.
Bento XVI começou a tentar reverter esse quadro a partir de 2005. Mas daí a mudar a Igreja, que é um dos organismos mais burocráticos e avessos à transformação que existem, há um longo caminho. Em seus discursos e documentos, constam referências diretas a uma série de pilares teóricos do catolicismo que ele pretende retomar. Entre eles está, por exemplo, o reconhecimento da existência do demônio como um espírito do mal que se manifesta de forma objetiva nas atitudes dos homens. E se as ondas dessas orientações teóricas demoram
para reverberar sobre a pesada estrutura clerical, nas costas dos fiéis elas parecem ter chegado com a força de um tsunami. “Temos visto um aumento na procura por exorcismos. As pessoas estão claramente mais sensíveis à influência do diabo”, afirma Ana Flora Anderson, socióloga e biblista vinculada à Cúria Metropolitana de São Paulo. A tese é apoiada pelo frei italiano Elias Vella, autor de “O Diabo e o Exorcismo” (Editora Palavra & Prece). Ele reconhece que, entre os anos 1970 e 1990, houve uma calmaria nos casos de possessão. “Hoje, os problemas demoníacos voltaram com força”, disse à ISTOÉ o religioso, que também foi exorcista. A igreja agora corre para suprir a crescente demanda, em meio a uma grave crise de vocações e uma diminuição do número de padres no mundo.
“A Igreja precisa se organizar para capacitar seus padres e fiscalizar melhor quem faz exorcismos”
Padre Gabriele Nanni, exorcista oficial da Diocese de Roma, que dá cursos para outros sacerdotes pelo mundo
Um retrato do descompasso que há hoje entre as necessidades dos fiéis e o despreparo do clero está sintetizado no livro “The Rite” (“O Rito”, em tradução livre), lançado em 2009 pelo jornalista americano Matt Baglio. Repórter free lancer na Itália, ele resolveu acompanhar um padre dos Estados Unidos durante um curso para formar exorcistas ministrado pela prestigiada Pontifícia Universidade Regina Apostolorum, em Roma, vinculada ao Vaticano. “Achei estranho existir um programa de estudos como esse em pleno século XXI”, afirma. “Mas considerei ainda mais espantoso descobrir que muitos dos padres que estavam lá não tinham ideia do que era o demônio e como se fazia um exorcismo.” Baglio lembra ainda que os calouros se diziam marginalizados pela comunidade religiosa de onde vieram por manifestar interesse por assunto tão controverso.


